quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Pedagogia dos projetos - Nilbo Nogueira


Nova Escola | Educação - Lino de Macedo fala sobre a importância dos jogos


Educação Continuada - Situação Problema (I)


Educação Continuada - Situação Problema (I)


O que é que a leitura tem - Parte 2


O que é que a leitura tem - Parte 1


Reescrita coletiva


Novas situações de aprendizagens


sábado, 4 de outubro de 2014

É PRECISO REFLETIR SOBRE ESTE TEMA.






Perfil do Professor e a Indisciplina
Pare um minuto para pensar na seguinte hipótese: Se os seus alunos fossem inquiridos sobre o que acham de você, qual seria a resposta deles? Você acha que eles lhe respeitam ? admiram? ignoram? Consideram você uma (um) tirana (no) ? Acham sua postura digna ? Acham que você é educada (o) ? Os seus alunos acham que a sua opinião tem valor e merece ser ouvida ?
Mas, o que tem a ver saber o que os alunos pensam de você? Em muitos casos  a indisciplina na sala de aula está associada a imagem que os alunos fazem do Professor.
Se algumas das respostas encontradas foram negativas, então você tem um sério problema de relacionamento interpessoal com os seus alunos. Isso ocorre quando o relacionamento ocorre de forma  unilateral, ou seja, apenas um dos envolvidos tem a primazia sempre.
Isso ocorre também o aluno vê falta de integridade e congruência na fala e no comportamento do Professor, quando isso acontece,  tenha certeza, o caminho estará aberto a indisciplina na sala de aula. Afinal quem respeitará um Professor que pede silêncio gritando ? Ou que pede para que o aluno seja justo, quando esse mesmo Professor se utiliza de ameaças e intimidações ?
O bom relacionamento é uma mão de duas vias, ou seja, implica que  ambos saibam ouvir, falar, argumentar para que possam  chegar a um consenso ideal na resolução de qualquer questão. Neste tipo de relação ambos conseguem crescer, pois amadurecem tendo de lidar com conflitos e situações limite no dia a dia.
Agora, como isso ocorre no dia a dia da sala de aula e dentro da Escola como um todo? Bem, o Professor precisa sair de uma postura rígida, autoritária e atuar mais como um líder usando de autoridade para gerir o processo pedagógico. Veja abaixo os dois perfis:
O Professor que tem autoridade
O Professor que é autoritário
Sabe conversar, ouvir, falar de modo respeitoso e tranquilo
Grita, vocifera, esbraveja, murmura
Respeita opiniões  e sabe argumentar
ameaça com notas baixas e reprovação,
Sabe mediar conflitos
ameaça com advertências, suspensão, e envio a Coordenação/Diretoria
Discute as regras de forma coletiva
Impõe normas e regras  de forma arbitrária
Sabe realizar gerenciamento da sala e do processo pedagógico
Por não dispor de ferramentas e estratégias sempre se utiliza de coerção
Mas, como sair do modo autoritário e atuar com autoridade ? Basta aprender e começar a  praticar as atitudes que mudarão o tom desse relacionamento.
O Professor que tem autoridade ganha o respeito e a admiração de todos porque:
- é competente no que faz  pois  domina os conteúdos
- tem estratégias criativas para estimular a curiosidade dos alunos
- está sempre por dentro de novas estratégias e novas tecnologias
- realiza sempre cursos de formação continuada
- é modelo de integridade e boas maneiras para todos os seus alunos
- enxerga além do plano de ensino e procura estimular os talentos dos alunos
- procura conhecer como “funciona” a cabeça do jovem, seus interesses e comportamento
- sabe “traduzir” o conhecimento na linguagem e dentro da realidade da criança e do jovem
O ser humano é um ser emocional, e  o seu aluno jamais lhe respeitará apenas porque você tem um diploma dizendo que é o Professor. O respeito  e admiração surgirão quando ele tiver certeza do tipo de pessoa que está por baixo do título e do diploma. Esta autoridade é conquistada quando esse aluno comprova que você se importa, quando você demonstra  atitudes proativas, bons exemplos e competência naquilo que você faz.
Então é hora de refletir se o relacionamento que você tem hoje com seus alunos é positivo ou não. Se ainda não for, então onde será preciso ajustar? O que deve ser modificado ou melhorado ? Só tem um jeito de saber isso: perguntando.  Aqui vai uma tarefa para você fazer amanhã:  Peça para os alunos  dramatizarem, desenharem, cantarem, e se for preciso: peça para eles falarem !!
Então, ficou curiosa (o) para saber o que eles pensam de você ?  Aguardo seus comentários no blog. (http://htpcantonioferraz.blogspot.com.br/
Dica de Leitura:

Taille,Yves de La. Limites:Três Dimensões Educacionais.152 pags.Ed.Ática

PROFESSOR UM VERDADEIRO HERÓI







Estratégias para vencer a indisciplina

Estratégias inteligentes e o exercício justo da autoridade são formas eficazes de enfrentar a indisciplina


 


CALVIN E A INDISCPLINA Personagem do americano Bill Watterson questiona com irreverência as regras e proibições da escola

Conteúdos relacionados


A indisciplina, dizem educadores de todo o país, é o maior problema da sala de aula - e da escola. Porém essa realidade (apontada em pesquisa feita pela Fundação Victor Civita e pelo Ibope com 500 professores) está longe de ser a verdadeira responsável pela dificuldade de ensinar: o que, de fato, impede o trabalho docente é a falta de adequação do processo de ensino. É isso que mostra a reportagem de capa de NOVA ESCOLA de outubro. A revista traz ainda o projeto institucional Repensar a Indisciplina, com consultoria de Ana Aragão, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Partindo do princípio de que as estratégias de repressão usadas por muitas escolas são pontuais, imediatistas e ineficazes, a revista aponta soluções para encarar o problema. Longe de ser um manual, esses passos são o ponto de partida para um trabalho que requer o envolvimento de toda a equipe. Confira um resumo das recomendações dos especialistas consultados por NOVA ESCOLA.

Distinguir as regras

A indisciplina é a transgressão de dois tipos de regra: as de natureza moral (baseadas em princípios éticos, que visam o bem comum, e por isso valem para todas as instituições e para qualquer situação, como não bater, não xingar e não mentir) e as convencionais (que variam de escola para escola, como as que se referem ao uso de celular, uniforme e boné). Com frequência, os regimentos escolares erram ao colocar essas duas situações em um mesmo patamar. É importante distingui-las para entender melhor a indisciplina e lidar com ela.

Equilibrar a reação
Pesquisa com 55 diretores realizada por Isabel Leme para a Universidade de São Paulo, em 2006, mostrou que a gestão de conflitos é vista por 85% deles como fundamental para garantir a paz na escola. Mas, alertam os especialistas, o que se vê na prática é menos uma abordagem para entender o problema (e lidar com ele) e muito mais a tentativa de evitar qualquer distúrbio. Quando uma situação foge do controle imposto, a reação é mandar os alunos para a diretoria. O caminho sugerido em NOVA ESCOLA é outro: dialogar sempre, ouvindo as partes e demonstrando respeito pelos valores de cada um.

Conquistar a autoridade
Toda vez que se tenta impor a disciplina com autoritarismo, surge a revolta. Com mais conhecimento, todo professor adquire segurança em relação aos conteúdos didáticos e aprende a planejar aulas eficazes. Pode parecer simples, mas isso é essencial para manter a disciplina e fazer com que todos aprendam. "É preciso diversificar a metodologia, pois interagimos com alunos conectados ao mundo de diferentes maneiras", diz Maria Tereza Trevisol, professora da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba, a 371 quilômetros de Florianópolis.

Incentivar a cooperação
Esforçar-se para construir um clima escolar de qualidade, no qual os estudantes sejam respeitados e aprendam a respeitar, traz recompensa: um comportamento adequado porque todos têm consciência de seu papel na escola e não por medo de castigos. Nessa situação, professores e gestores são vistos como figuras de autoridade moral e intelectual, capazes de negociações justas com a garotada (nunca autoritárias).

Agir com calma

Em uma situação de indisciplina, é preciso, sim, manifestar contrariedade. Sem exaltações, mostrar ao aluno que todo o grupo é prejudicado vai ajudá-lo a perceber as consequências de suas ações e aprender como agir em outras situações similares.

Ficar sempre alerta
Cabe à escola cultivar um ambiente de cooperação e respeito, pois é de esperar que casos de indisciplina surjam sempre. Mesmo com a equipe capacitada para agir de forma mais confiante em relação ao problema, sempre haverá novos professores e alunos, que precisarão de tempo para se adequar a essa maneira de encarar os conflitos.

Estimular a autonomia
Às vezes, os alunos agem de forma indisciplinada para demonstrar que alguma regra não funciona. Em alguns casos, eles querem chamar a atenção para as próprias ideias. Ao conviver num ambiente pautado pelo respeito e pela negociação das normas, os estudantes aprendem a tomar decisões responsáveis.

 

MOMENTO REFLEXÃO. ABORDAGENS SOBRE A LEITURA







Mensagem da Canoa

 

 

Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para outro.

Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora.
Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:
Companheiro, você entende de leis?
Não – Responde o barqueiro.
E o advogado compadecido:
É pena, você perdeu metade da vida!
A professora muito social entra na conversa:
Seu barqueiro sabe ler e escrever?
Também não – Responde o remador.
Que pena! – Condoi-se a mestra!
– Você perdeu metade da vida!
Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco.
O canoeiro preocupado, pergunta:
Vocês sabem nadar?
Não! – Respondem eles rapidamente.
Então é uma pena – Concluiu o barqueiro
Vocês perderam toda a sua vida!”

 


"Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes!" Paulo Freire
Pense nisso e valorize todas as pessoas com as quais tenha contato.
Cada uma delas tem algo diferente para nos ensinar...

OBSERVAR O TEXTO ABAIXO


Passo a passo da tematização da prática

Confira 11 passos necessários para conduzir um bom processo de tematização da prática


=== PARTE 1 ====

Antes de tudo, é preciso entender o que significa tematização da prática: tematizar é olhar para algo e tratá-lo como um objeto de reflexão, levantando teorias a seu respeito - é por isso que, por vezes, é chamada de teorização. E por que "da prática"? Porque ela consiste em analisar as atividades didáticas da sala de aula para estudar as teorias que ajudarão os docentes a perceber as intervenções necessárias ao ensino dos conteúdos. Com isso, os professores veem que prática e teoria estão interrelacionadas - uma ligação pouco explorada nos cursos de Pedagogia e nas licenciaturas.

Confira abaixo o passo a passo para você, coordenador pedagógico, realizar tematizações eficientes nos momentos de formação dos professores.



1. Identificação das necessidades
Os momentos de formação e observação de sala servem para descobrir o que é preciso tematizar. Você pode encontrar, por exemplo, baixo desempenho nas avaliações de História e urgência de atualização dos professores dessa área. Leve em conta as competências que eles já têm e as que precisam desenvolver - mais as necessidades de aprendizagem dos alunos. A equipe pode sugerir atividades para a análise.

 

2. Pesquisa de referências
A tematização, para ser bem feita e colaborar para que o grupo avance, requer um estudo em profundidade. Não basta apenas observar a prática e falar sobre ela sem o devido conhecimento teórico. Cabe ao coordenador levantar a bibliografia a respeito do tema que será abordado nos encontros pedagógicos, reservar momentos para estudá-la e selecionar alguns textos para compartilhar com a equipe.

 


3. Definição do material de análise
A tematização pode ser feita com vídeos produzidos para programas de formação, captados em aulas de outros professores, e com material gravado na própria escola. Os primeiros são os melhores para introduzir a prática da tematização, enquanto se constrói a relação de confiança entre a coordenação pedagógica e a equipe docente. Depois, o ideal é fazer gravações internas, que ajudarão a solucionar as dúvidas do grupo.



4. Planejamento em equipe
Quando a gravação é feita internamente, é fundamental elaborar a aula a ser documentada com os professores e corresponsabilizar-se pelo desenvolvimento da atividade. O planejamento pode ser feito tanto com a equipe como individualmente, com o docente que será filmado. Esse cuidado ajuda o grupo a perceber que a intenção da tematização é que todos avancem - e não apontar erros.

 

5. Escolha do equipamento
A filmagem é o recurso mais eficiente por permitir que o grupo lance olhares múltiplos sobre um mesmo objeto e faça análises coletivas. Contudo, as escolas que não têm filmadora podem usar captações em áudio como base das discussões durante a formação. Nesse caso, a coordenação deve acompanhar a gravação para anotar as reações dos alunos, os materiais manipulados e o contexto da atividade.

 


6. Manuseio da filmadora
O coordenador é quem melhor conhece os aspectos da aula que devem ser gravados - as intervenções do professor, as perguntas dos alunos e a interação da turma com o conteúdo. Portanto, é o mais indicado para operar o equipamento. Esqueça a contratação de profissionais que trabalham com eventos e festas: eles não têm informações para se ater aos pontos que realmente são relevantes à discussão

 

7. Seleção de atividades paralelas
Ao introduzir a prática de tematização, é interessante envolver mais professores. Para isso, enquanto em uma classe são captadas imagens, nas demais pode-se fazer a gravação em áudio da mesma atividade. Peça que o professor transcreva a fita e entregue também o planejamento e um relato reflexivo sobre a aula. Todo o material deve ser levado à reunião pedagógica para que seja feita a comparação de diferentes contextos.




8. Análise conjunta
Depois da filmagem, reúna-se com o professor cuja atuação foi filmada para assistir ao vídeo antes de mostrá-lo à equipe. Planejem a tematização, discutindo pontos que serão debatidos e selecionando trechos indispensáveis. Esse é um cuidado importante, que demonstra o respeito pelo docente. Aproveite para observar o que esse professor já percebe sobre a atividade e que ele mesmo pode abordar no encontro coletivo.

 


9. Escolha do foco
Assista ao vídeo sozinho para selecionar as imagens significativas para a tematização e decidir qual o melhor material teórico para você e a equipe consultarem e estudarem na próxima etapa. Essa bibliografia complementará aquela que você levantou inicialmente e é com a ajuda dela que você poderá decidir as intervenções que fará durante a formação - visando sempre promover a reflexão conjunta.




10. Estudo das teorias
Estimule novas aprendizagens. Exemplo: em uma atividade de alfabetização, se a criança escreveu KAIZTA, no lugar de CAMISETA, pergunte por que isso ocorre. Ouvidas as hipóteses, recorra à teoria, explicando que o aluno está na fase silábico-alfabética e atribui uma letra a cada sílaba ou representa unidades sonoras menores. As análises partem de atividades específicas, mas são aplicáveis a outros contextos.

 


11. Continuidade do processo
Sozinha, a tematização não dá conta de ajudar os docentes a avançar e de melhorar a qualidade do ensino oferecido na escola. Por isso, é fundamental que essa estratégia esteja sempre inserida em um contexto de formação continuada coletiva, de modo a permitir que os professores sigam estudando e aprofundando conhecimentos e você possa avaliar permanentemente os impactos na prática docente.

Os erros mais comuns

Evite estes equívocos:

- Julgar atitudes Não existe o "certo" e o "errado", mas ações coerentes ou não com os objetivos a que o professor se propõe.

- Usar apenas vídeos produzidos fora da escola O material captado especificamente para cursos de formação nem sempre atende às necessidades de sua escola. Por isso, é importante ouvir a equipe com frequência e prever a gravação das atividades em que os professores tenham dúvidas.

- Filmar aulas ineficientes Se o professor tem dificuldade de controlar a turma, por exemplo, a tematização não é produtiva e pode se tornar uma espécie de julgamento

QUANDO É O MOMENTO DE INTERVIR NA AULA?






Por que e como intervir na prática do professor

25/09/2014 às 10:00 am | Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

 

A observação constante da sala de aula permite o coordenador pedagógico perceber se algo precisa ser mudado na prática do professor (Foto: Manuela Novais)

Um dos papéis fundamentais do coordenador pedagógico é melhorar a prática do docente em sala. Para fazer isso, além de fomentar a reflexão sobre conhecimentos teóricos nas reuniões de formação, ele deve ter sensibilidade suficiente para identificar as necessidades da equipe escolar e saná-las.

É claro que atingir esse objetivo não é fácil e, com a observação constante das aulas, sempre percebemos algo que precisa ser mudado. Mas como realizar uma intervenção se, muitas vezes, os professores se mostram incomodados com ela?

Em geral, depois que eu identifico algum aspecto problemático, faço as seguintes perguntas: Preciso intervir imediatamente? É uma questão que se aplica a apenas um ou a vários professores? Devo elaborar um plano de formação? Independentemente da resposta, planejo minhas próximas ações com calma.

Na maior parte das vezes, opto por realizar uma formação com toda a equipe. Só realizo uma intervenção mais direcionada se o problema for mais urgente. Nesse caso, me apoio no que observei em sala, no planejamento do próprio docente ou em algum registro que ele fez. Aí, compartilho com o professor os elementos observados, nomeio a questão e proponho que pensemos juntos em possibilidades de resolução.

Um exemplo prático

Durante uma reunião de pais da turma do 4º ano, na escola em que trabalho, os familiares reclamaram da cobrança que estava sendo feita aos filhos para memorizar algumas contas de multiplicação e divisão. Segundo eles, era a primeira vez que as crianças tinham contato com aquelas operações matemáticas. A docente responsável se justificava, dizendo que acreditava que a prática estava correta, porque os alunos precisavam saber a tabuada de memória e o conteúdo fazia parte do currículo da série.

Naquele momento, só consegui pensar no seguinte: “Como a tabuada havia chegado às mãos dos alunos e como esse conteúdo foi evoluindo ao longo dos anos anteriores? O que pensam e sabem os professores sobre a evolução dos conhecimentos dos estudantes em relação ao campo multiplicativo?”. Como eu ainda não era coordenadora da escola no ano anterior, disse aos pais presentes que analisaria o que disseram e analisaria com a professora da turma se algo deveria ser alterado

Após a reunião, comecei a observar o que se passou com essa turma do 4º ano nos anos anteriores e como esse conteúdo foi tratado até então. Com base nisso, resolvi realizar duas intervenções. A primeira delas foi imediata e teve o objetivo de repensar que tipos de ações precisavam ser feitas antes de a professora cobrar a memorização da tabuada, como atividades que propõem momentos de resolução de problemas.

A outra intervenção foi a longo prazo e se baseou na observação de sala de aula, do caderno dos alunos e do que sabem os professores sobre a evolução do conhecimento matemático nos campos multiplicativo e aditivo. Depois da análise do currículo atual da escola, montei um plano de ação com uma série de momentos individuais e formações coletivas. A intenção era refletir sobre quais conteúdos matemáticos deveriam ser trabalhados em cada série dos anos iniciais do Ensino Fundamental e qual deveria ser o papel de cada professor nesse processo.

O resultado desse trabalho está sendo um longo estudo da organização curricular para que os professores tenham clareza do que devem ensinar. Nesse momento, meu papel é acompanhar essa ação na rotina com mais observações, continuar prestando atenção na fala dos colegas e dos pais e ler registros, planejamentos e materiais que circulam em sala.

E vocês, como costumam intervir quando detectam algo que precisa mudar na prática pedagógica da sua escola? Vocês concordam com a estratégia que utilizei?

MOMENTO LEITURA REFLEXIVA..ABORDAGENS SOBRE O TEXTO.







      

                                     A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

 

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no  assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa. Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:- Pai está com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo tudo de ruim para ele. Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola. O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:- Filho faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como  ficou. O menino achou que seria uma brincadeira divertida e passou mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe se aproxima do menino e lhe pergunta:

- Filho como está se sentindo agora?- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa. O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa. O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo.

 

Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então lhe diz ternamente:- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você .O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos. Cuidado com seus pensamentos, eles se transformam em palavras;


*        Cuidado com suas palavras, elas se transformam em ações;

*        Cuidado com suas ações, elas se transformam em hábitos;

*        Cuidado com seus hábitos, eles moldam o seu caráter;

*        Cuidado com seu caráter, ele controla o seu destino.                   

 

                                             Autor Desconhecido






RELAÇÃO PROFESSOR x ALUNO E A MOTIVAÇÃO

O professor afeta a eternidade;
Ele não pode dizer onde
Sua influência acaba.

Henry Brooks Adam
[Apud KNOWLES, 1998]

2.1 - Da relação

Ao falarmos em motivação no processo de aprendizagem escolar, é extremamente relevante salientar a relação professor x aluno, pois o modo como esse relacionamento se dá vai dimensionar e direcionar a questão da motivação.

Um professor, consciente de seu papel, sabe que sua tarefa é orientar o aluno em seu aprendizado, tornando-o mais crítico, buscando sempre seu êxito e não seu fracasso. Sua relação com os alunos é uma relação profissional, que deve potencializar o aprendizado amplo, isto é, de conteúdo moral, ético, estético e outros, que inevitavelmente permeiam as aulas, ou como temas transversais, ou como assuntos que transcendam os currículos.

Referindo-se à motivação em sala de aula, Tapia & Fita (1999, p. 107) escrevem: “(...) é necessário que o professor transmita valores de forma explícita. Devemos lutar contra a tendência de deixar isso exclusivamente nas mãos dos ‘especialistas’, professores de religião, ética. Essa tarefa deve ser assumida por todos os professores”.

Por outro lado, segundo Paulo Freire, não se pode conseguir que o aluno passe da ingenuidade intelectual à criticidade, prescindindo de uma formação ética aliada à estética (FREIRE, 2002, p. 36). Isso deve interessá-lo pelo menos tanto quanto interessa ao vendedor que visa não só não espantar seus clientes, mas até fazer com que comprem e levem mais do que tinham a intenção de comprar (MORALES, 1998, p. 13).

O professor é um profissional como outro qualquer (do ponto de vista meramente trabalhista), mas tem uma função, uma “missão” que é o seu diferencial: ele exerce grande influência sobre a formação da personalidade e do caráter de seus alunos. Seu modo de lidar com eles, de interagir com a turma durante as aulas, vai transmitir-lhes muito mais do que o simples conteúdo das disciplinas e pode deixar marcas para o resto de suas vidas. Essas marcas podem ter um cunho positivo ou negativo.

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso , o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p. 73).

O professor (conscientemente ou não) transmite valores, princípios, direciona a atenção do aluno para seus pontos de vista, suas preferências e opiniões. Na verdade, ele é um formador de opinião e esse é o lado político da educação.

O modo de lidar com a turma vai se refletir também na aceitação ou na rejeição da própria disciplina. Por exemplo, professores de Matemática, Física e Química tendem a ser os menos queridos entre os alunos, como temos visto a partir da nossa experiência como orientadora pedagógica.

Como já mencionamos, o aluno sente dificuldade em lidar com essas disciplinas que exigem um alto grau de abstração, que requerem um esforço mental e grande concentração, além do “trabalho braçal” de calcular, calcular e calcular. Começa então a antipatizar-se com as mesmas e também com os professores, por conta disso. Os dias das tais aulas são dias de queixas e reclamações, que acabam canalizadas para a pessoa do professor.

Quando o professor de alguma das supracitadas disciplinas tem um bom trânsito com os alunos, é notório que os mesmos queixam-se menos das aulas e até se interessam mais em aprender, como observamos ao longo de toda nossa experiência em diferentes escolas. Isto se dá com todas as disciplinas, o que comprova o quão importante é o bom relacionamento entre professores e alunos. Dessa forma, a boa relação entre professores e alunos já é um fator de motivação.

Se o aluno não se interessa pela disciplina – seja pela pessoa do professor ou pela exposição das aulas – ele sente grande dificuldade em aprender e esta dificuldade o desmotiva. Seu desinteresse e a sua repulsa pela matéria, e até pela pessoa do professor, crescem. Acaba por se criar um ciclo vicioso envolvendo a desmotivação e o não-aprendizado, o que é difícil de se romper.

O problema maior dessa situação é que o aluno pode levar algumas deficiências de conteúdo por toda sua vida escolar, dificultando também a assimilação de novos conteúdos por conta dessa deficiência. Como as disciplinas não são isoladas, mas, ao contrário, estão cada vez mais interligadas, essas dificuldades e deficiências irão se refletir em outras áreas de sua vida acadêmica.

Quanto maior for a afinidade entre professores e alunos, melhor será a fluência do processo ensino–aprendizagem, pois mais facilmente os alunos compreenderão o sentido de estudar o que está sendo apresentado pelo professor e terão a curiosidade de buscar novas informações que possam complementar a aula, tornando-a um momento de aprendizagem dinâmica para ambos, aluno e professor. Para Carl Rogers, “a aprendizagem auto-iniciada que envolve toda a pessoa do aprendiz – seus sentimentos tanto quanto sua inteligência – é a mais durável e impregnante” (ROGES, 1978). Além disso, há que se considerar que “a relação entre professores e alunos deve ser uma relação dinâmica, como toda e qualquer relação entre seres humanos. Na sala de aula, os alunos não deixam de ser pessoas para transformar-se em coisas, em objetos, que o professor pode manipular, jogar de um lado para o outro. O aluno não é um depósito de conhecimentos memorizados que não entende, como um fichário ou uma gaveta. O aluno é capaz de pensar, de refletir, discutir, ter opiniões, participar, decidir o que quer e o que não quer. O aluno é gente, é ser humano, assim como o professor.” (PILETTI, 1987).

Infelizmente, ainda hoje, em meio a tantas definições e tantos comentários enfáticos sobre o aluno-cidadão, crítico e consciente de sua realidade, este ainda continua sendo um grande desconhecido para o professor. Muitos professores chegam a ponto de achar que as turmas são grupos homogêneos e rotuláveis. Em geral, só conseguem destacar do grupo aqueles mais indisciplinados ou os mais “brilhantes”.

Buscando alcançar êxito em sua tarefa de ensinar, o professor, partindo de um programa de disciplina, define os objetivos, seleciona certos conteúdos e alguns métodos a serem utilizados. “Em cada momento deveremos utilizar a metodologia que nos pareça mais direta, mais eficaz ou mais enriquecedora e, sobretudo, mais motivadora”, sustentam Tapia & Fita (1999, p. 111). Porém, o que ele não pode esquecer é que os alunos não são todos iguais; são pessoas singulares, que reagirão distintamente aos objetivos estabelecidos, aos conteúdos e, principalmente, à maneira como o professor se relaciona com a turma. Segundo Bordenave e Pereira (1982, p. 60), “as reações diferentes os levarão a aprender de forma diferente (ou a não aprender)”.

Faz-se então necessário que o professor esteja atento às características de seus alunos, de maneira que possa melhor planejar suas aulas, a fim de atingir o maior número possível de alunos e alcançar sucesso em seus objetivos. Não é aceitável um planejamento sem conhecimento do público alvo. Por esta razão é que muitas escolas estão deixando os planejamentos de curso para depois do início das aulas, para que o professor tenha tempo de conhecer seus alunos e planejar atividades relacionadas com a realidade das turmas, buscando atingir os interesses dos alunos, ou pelo menos se afinar com eles.

. Paulo Freire comenta que “as coisas podem até piorar”, mas nos exorta a “intervir para melhorá-las” (FREIRE, 2002, p. 58). Não podemos aceitar o discurso acomodado de que “não há o que fazer”, conclui o educador. Devemos, sim, ter a ousadia que motiva o ser humano a fazer o novo, a fazer o que ainda não foi experimentado por ninguém. “Toda criação deve superar uma ansiedade. Criar é desatar uma angústia”, afirma Bachelard (BACHELARD, 1990, p. 114). Vencer o medo - principalmente o medo do novo - é o que se espera de um educador capaz de transmitir criticamente o conhecimento, pois, como nos ensina o filósofo francês, “por mais efêmero que seja o medo, está quase sempre na origem de um conhecimento” (BACHELARD, 1990, p. 150). 

 
 

2.2 - Dos tipos de professor



Inspirados nos tipos de líderes apresentados no livro de Pierrre Weil (1971), apresentamos três tipos de professores que encontramos com maior freqüência nas salas de aula.Temos certeza que os leitores irão se identificar com algum deles ou associá-los a pessoas conhecidas. Qualquer semelhança terá sido mera... intenção.
 
 
 

  • Professor autocrático



Figura 2.1. Tirinha produzida por um aluno da Oficina EDUHQ, que faz parte de uma série dedicada a criticar a Escola e o Sistema Educacional.

O professor autocrático não se importa em saber o que seus alunos pensam. Ele os trata como simples lacaios, dando ordens que devem ser cumpridas sem discussão. É, em geral, uma pessoa irritável, brutal, colérica, egoísta e incapaz de compreender os outros. Não tem, aliás, nenhum interesse para isso.

O professor autocrático ou provoca revolta nos alunos, ou uma passividade completa, levando-os a não querer fazer nada além do proposto. É o tipo de professor que passa muitas atividades, das quais ele se ausenta, para ocupar a turma, afim de não ser incomodado. Procura cumprir rigorosamente o planejamento anual, não se importando se a turma aprendeu ou não. Para ele, bom professor é aquele que cumpre todo o programa, mesmo que superficialmente.

Esse tipo de professor segue a linha pedagógica tradicional. Prega que o professor ensina e o aluno deve aprender. Não há trocas nessa relação. Tão pouco se preocupa com qualquer tipo de motivação, pois, para ele, o aluno tem que estudar por si só, não necessitando de bajulação.

Bate no peito e diz: “Sou professor, não educador, e meu papel é ensinar, dar aulas. Nada mais”. Não há nesse profissional qualquer intenção de se relacionar afetivamente com os alunos.

Professor laissez-faire

Laissez-faire em francês quer dizer deixar fazer. O lema desse professor licencioso é “deixar como está para ver como é que fica”. É uma pessoa muito insegura, que tem receio de assumir responsabilidades. Não dá nenhuma instrução, cada aluno faz o que quer e como bem entende. Na divisão do trabalho, na repartição das responsabilidades, a confusão é completa. A sua aula é cheia de atritos, com grande desordem entre seus alunos.

Esse professor não se preocupa com os conteúdos, tão pouco os ministra de maneira consequencial. Também não se define por nenhuma linha pedagógica. Costuma ser levado pelos modismos.

Tem até boa intenção em motivar seus alunos, mas, como não programa nem organiza as atividades, elas acabam virando bagunça e perdem o propósito motivacional.

Em geral, esse tipo de professor tem um bom relacionamento com os alunos, porém pode ser desrespeitado por alguns por não se impor como profissional.
 
 
 
 
 

Professor democrático
 
 
 

O professor democrático procura concentrar toda a atenção sobre as atitudes e interesses dos alunos, que não são tratados como simples receptores de informações e conhecimentos, mas sim, como colaboradores.

É uma pessoa que procura orientar a aula com a cooperação, a participação espontânea e a boa vontade dos alunos. Respeita o homem e crê nele. Consegue a cooperação do grupo pela sua competência, paciência, tolerância e honestidade de propósitos. Não dá ordens; dá o exemplo, estimulando em vez de ralhar.

Toda a sua atenção está concentrada no que o aluno pensa. Ele sabe obter o máximo de produtividade através do máximo de boa vontade. Faz um apanhado das diversas correntes pedagógicas, dosando muito bem o melhor de cada uma delas, procurando acertar mais do que errar. 

Como Vigotsky apresenta, esse tipo de professor é um entusiasta e, tal como Piaget concebe, sabe a importância de manter a turma motivada para obter sucesso no processo de aprendizagem dos alunos, por isso, faz uso de todos os recursos disponíveis para motivá-los.

Em geral, esse tipo de professor tem um ótimo relacionamento com os alunos e é por eles muito respeitado. Usa sua autoridade sem autoritarismo.