Por que e
como intervir na prática do professor
25/09/2014 às 10:00 am | Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A observação constante da sala de aula permite o coordenador pedagógico
perceber se algo precisa ser mudado na prática do professor (Foto: Manuela
Novais)
Um dos papéis fundamentais do
coordenador pedagógico é melhorar a prática do docente em sala. Para fazer
isso, além de fomentar a reflexão sobre conhecimentos teóricos nas reuniões de
formação, ele deve ter sensibilidade suficiente para identificar as
necessidades da equipe escolar e saná-las.
É claro que atingir esse objetivo não
é fácil e, com a observação constante das aulas, sempre percebemos algo que
precisa ser mudado. Mas como realizar uma intervenção se, muitas vezes, os
professores se mostram incomodados com ela?
Em geral, depois que eu identifico
algum aspecto problemático, faço as seguintes perguntas: Preciso intervir
imediatamente? É uma questão que se aplica a apenas um ou a vários professores?
Devo elaborar um plano de formação? Independentemente da resposta, planejo
minhas próximas ações com calma.
Na maior parte das vezes, opto por
realizar uma formação com toda a equipe. Só realizo uma intervenção mais
direcionada se o problema for mais urgente. Nesse caso, me apoio no que
observei em sala, no planejamento do próprio docente ou em algum registro que
ele fez. Aí, compartilho com o professor os elementos observados, nomeio a
questão e proponho que pensemos juntos em possibilidades de resolução.
Um exemplo prático
Durante uma reunião de pais da turma
do 4º ano, na escola em que trabalho, os familiares reclamaram da cobrança que
estava sendo feita aos filhos para memorizar algumas contas de multiplicação e
divisão. Segundo eles, era a primeira vez que as crianças tinham contato com
aquelas operações matemáticas. A docente responsável se justificava, dizendo que
acreditava que a prática estava correta, porque os alunos precisavam saber a
tabuada de memória e o conteúdo fazia parte do currículo da série.
Naquele momento, só consegui pensar
no seguinte: “Como a tabuada havia chegado às mãos dos alunos e como esse conteúdo
foi evoluindo ao longo dos anos anteriores? O que pensam e sabem os professores
sobre a evolução dos conhecimentos dos estudantes em relação ao campo
multiplicativo?”. Como eu ainda não era coordenadora da escola no ano anterior,
disse aos pais presentes que analisaria o que disseram e analisaria com a
professora da turma se algo deveria ser alterado
Após a reunião, comecei a observar o
que se passou com essa turma do 4º ano nos anos anteriores e como esse conteúdo
foi tratado até então. Com base nisso, resolvi realizar duas intervenções. A
primeira delas foi imediata e teve o objetivo de repensar que tipos de ações
precisavam ser feitas antes de a professora cobrar a memorização da tabuada,
como atividades que propõem momentos de resolução de problemas.
A outra intervenção foi a longo prazo
e se baseou na observação de sala de aula, do caderno dos alunos e do que sabem
os professores sobre a evolução do conhecimento matemático nos campos
multiplicativo e aditivo. Depois da análise do currículo atual da escola,
montei um plano de ação com uma série de momentos individuais e formações
coletivas. A intenção era refletir sobre quais conteúdos matemáticos deveriam
ser trabalhados em cada série dos anos iniciais do Ensino Fundamental e qual
deveria ser o papel de cada professor nesse processo.
O resultado desse trabalho está sendo
um longo estudo da organização curricular para que os professores tenham
clareza do que devem ensinar. Nesse momento, meu papel é acompanhar essa ação
na rotina com mais observações, continuar prestando atenção na fala dos colegas
e dos pais e ler registros, planejamentos e materiais que circulam em sala.
E vocês, como costumam intervir
quando detectam algo que precisa mudar na prática pedagógica da sua escola?
Vocês concordam com a estratégia que utilizei?
Nenhum comentário:
Postar um comentário