sábado, 4 de outubro de 2014

É PRECISO QUE O APRENDIZ FAÇA PARTE INTEGRAL DA AULA, É PRECISO DESENVOLVER O PROTAGONISMO.







A aprendizagem significativa se dá por meio do que entende serem os sete

passos da (re) construção do conhecimento. Segundo SANTOS (2007, p.2) os sete

passos são:

 

1. O sentir – toda aprendizagem parte de um significado contextual e

emocional. 2. O perceber – após contextualizar o educando precisa

ser levado a perceber características específicas do que está sendo

estudado. 3. O compreender – é quando se dá a construção do

conceito, o que garante a possibilidade de utilização do

conhecimento em diversos conceitos. 4. O definir – significa

esclarecer um conceito. O aluno deve definir com suas palavras, de

forma que o conceito lhe seja claro. 5 – O argumentar – após definir,

o aluno precisa relacionar logicamente vários conceitos e isso ocorre

através do texto falado, escrito, verbal e não verbal. 6. O discutir

nesse passo, o aluno deve formular uma cadeia de raciocínio através

da argumentação. 7. O transformar – o sétimo e último passo da (re)

construção do conhecimento é a transformação. O fim último da

aprendizagem significativa é a intervenção da realidade. Sem esse

propósito, qualquer aprendizagem é inócua.

 

Pare de dar aulas!

Por mais estranho que possa parecer, esse é o principal comportamento a ser

adquirido. Paulo Afonso Caruso Ronca (1996) faz o questionamento perfeito sobre essa

situação: “Se o papel do professor é dar aulas, enquanto ele dá a sua aula, o aluno faz o

quê?” A expressão “dar aula” é fruto da era do “mundo pronto”. Num contexto de mundo

inacabado e em constante mudança nós não temos nenhuma aula a “dar”, mas sim a

construir, junto com o aluno. O aluno precisa ser o personagem principal dessa novela

chamada aprendizagem. Já não tem mais sentido continuarmos a escrever, dirigir e atuar

nessa novela unilateral, na qual o personagem principal fica sentado no sofá, estático e

passivo, assistindo, na maioria das vezes, a cenas que ele não entende. As novelas “de

verdade” já estão incluindo o telespectador em seus enredos, basta observarmos a

freqüência de pesquisas populares que norteiam o autor na composição de personagens e

definição dos rumos da estória.

Dar aula cansa, frustra e adoece. Cansa porque precisamos manter os alunos quietos

e prestando atenção em algo que eles, geralmente, não sentem a mínima necessidade de

aprender. Para que eles supostamente aprendam (leia-se fiquem quietos>)

professor), muitas vezes desprendemos uma energia sobre-humana, que vem geralmente

acompanhada de frustração e desespero. A doença, é conseqüência direta dessa situação.

 

Pare de dar respostas!

 

Aprender é fruto de esforço. Esse esforço precisa ser a busca de uma solução, de

uma resposta que nos satisfaça e nos re-equilibre. Na medida em que nos preocupamos

mais em dar respostas do que fazer perguntas, estaremos evitando que o aluno faça o

necessário esforço para aprender. Eis o passaporte para a acomodação cognitiva. Dar a

resposta é contar o final do filme. Poupa o sofrimento de vivenciar a angustia de imaginar

diferentes e possíveis situações de exercitar o modelo de ensaio-e-erro, enfim, poupa o

aluno do exercício da aprendizagem significativa.

Num contexto de “mundo pronto” a resposta fazia sentido. Num contexto de “mundo

em construção”, a resposta impede a aprendizagem. Além de que, a perspectiva do vir-a-ser

exige busca constante. Se num mundo dinâmico paramos de buscar, saímos da sintonia

desse mundo e nos desconectamos do processo global de desenvolvimento.

Diante dessa realidade, o desejo, a vontade, a curiosidade e a disponibilidade interna

para aprender ganham especial importância. Segundo Freinet, está fadado ao fracasso, todo

método que tentar fazer beber água o cavalo que não tem sede. Essa máxima nos remete à

profunda reflexão sobre a importância do papel do sujeito que aprende. Mais ainda. Remetenos

à reflexão sobre o papel do professor como “provocador da sede”.

Na escola, informações são passadas sem que os alunos tenham necessidade delas,

logo, nossa função principal como professores é de gerar questionamentos, dúvidas, criar

necessidade e não apresentar respostas.

 

Procure novas formas de desafiar os alunos!

O nosso principal papel como professores, na promoção de uma aprendizagem

significativa é desafiar os conceitos já aprendidos, para que eles se reconstruam mais

ampliados e consistentes, tornando-se assim mais inclusivos com relação a novos

conceitos. Quanto mais elaborado e enriquecido é um conceito, maior possibilidade ele tem

de servir de parâmetro para a construção de novos conceitos. Isso significa dizer que quanto

mais sabemos, mais temos condições de aprender. Quando problematizamos, abrimos as possibilidades de aprendizagem, uma vez que

os conteúdos não são tidos como fins em si mesmos mas como meios essenciais na busca

de respostas. Os problemas têm a função de gerar conflitos cognitivos nos alunos

(desequilíbrios), que provoquem a necessidade de empreender uma busca pessoal.

Esse desafio a que nos referimos não precisa ser algo de extraordinário, o essencial

é cumprir o papel de “causar sede”.

 

Eleve a auto-estima do aluno!

 

Partir daquilo que o aluno já sabe, reforçá-lo e valorizá-lo é fazê-lo sentir-se parte do

processo de aprender e, paralelamente, é elevar sua auto-estima. Outras atitudes

igualmente elevadoras da auto-estima do aluno sâo:

_ Propor desafios ao seu alcance.

_ Monitorar a distância entre a linguagem utilizada na aula e a linguagem

natural do aluno.

_ Oferecer as ajudas necessárias diante das dificuldades.

_ Garantir um ambiente compartilhado de ensino em que o aluno sinta-se parte

ativa.

_ Implementar o hábito de reconhecimento de pequenos sucessos progressivos.

_ Garantir que o aluno possa mostrar-se progressivamente autônomo no

estabelecimento de objetivos, no planejamento das ações que o conduzirá a

eles.

Esse conjunto de atitudes compõe o que chamamos relação de respeito e confiança

mútuos. E é a partir desse contexto acolhedor que se dá a aprendizagem significativa.

Promova a interação entre os alunos!

A troca de percepções entre os alunos estimula a ampliação de idéias e a testagem

de hipóteses pessoais. O indivíduo não nasce pronto nem é cópia do ambiente externo. Em

sua evolução intelectual há uma interação constante e ininterrupta entre processos internos

e influências do mundo social. A partir dessa afirmação, Vigotsky justifica a necessidade de

interação social no processo de aprendizagem. Atento à "natureza social" do ser humano,

que desde o berço vive rodeado por seus pares em um ambiente impregnado pela cultura,

Vigotsky (1999) defendeu que o próprio desenvolvimento da inteligência é produto dessa

convivência. Para ele, "na ausência do outro, o homem não se constrói homem". Enfim, é

através da aprendizagem nas relações com os outros que construímos os conhecimentos

que permitem nosso desenvolvimento mental.

Essa interação deve se concretizar em sala de aula através do estímulo para que os

alunos troquem idéias e opiniões. Essas trocas devem ser breves e em pequenos grupos

(três alunos é o ideal) para se evitar a dispersão e perda de foco. No momento em que um

aluno ouve a opinião do colega e reflete sobre o que ele diz, ele tem a oportunidade de

ratificar ou retificar sua opinião, através de uma síntese dialética, necessária a todo

conhecimento consistente.

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