A aprendizagem significativa se dá por meio do
que entende serem os sete
passos da (re) construção do conhecimento.
Segundo SANTOS (2007, p.2) os sete
passos são:
1. O sentir – toda aprendizagem parte de um significado contextual e
emocional. 2. O
perceber – após contextualizar o educando precisa
ser levado a perceber características específicas
do que está sendo
estudado. 3. O
compreender – é quando se dá a construção do
conceito, o que garante a possibilidade de
utilização do
conhecimento em diversos conceitos. 4. O
definir – significa
esclarecer um conceito. O aluno deve definir com
suas palavras, de
forma que o conceito lhe seja claro. 5 – O
argumentar – após definir,
o aluno precisa relacionar logicamente vários
conceitos e isso ocorre
através do texto falado, escrito, verbal e não
verbal. 6. O discutir –
nesse passo, o aluno deve formular uma cadeia de
raciocínio através
da argumentação. 7. O
transformar – o sétimo e último passo da (re)
construção do conhecimento é a transformação. O
fim último da
aprendizagem significativa é a intervenção da
realidade. Sem esse
propósito, qualquer aprendizagem é inócua.
Pare de dar aulas!
Por mais estranho que possa parecer, esse é o
principal comportamento a ser
adquirido. Paulo Afonso Caruso Ronca (1996) faz
o questionamento perfeito sobre essa
situação: “Se o papel do professor é dar aulas,
enquanto ele dá a sua aula, o aluno faz o
quê?” A expressão “dar aula” é fruto da era do
“mundo pronto”. Num contexto de mundo
inacabado e em constante mudança nós não temos
nenhuma aula a “dar”, mas sim a
construir, junto com o aluno. O aluno precisa
ser o personagem principal dessa novela
chamada aprendizagem. Já não tem mais sentido
continuarmos a escrever, dirigir e atuar
nessa novela unilateral, na qual o personagem
principal fica sentado no sofá, estático e
passivo, assistindo, na maioria das vezes, a
cenas que ele não entende. As novelas “de
verdade” já estão incluindo o telespectador em
seus enredos, basta observarmos a
freqüência de pesquisas populares que norteiam
o autor na composição de personagens e
definição dos rumos da estória.
Dar aula cansa, frustra e adoece. Cansa porque
precisamos manter os alunos quietos
e prestando atenção em algo que eles,
geralmente, não sentem a mínima necessidade de
aprender. Para que eles supostamente aprendam
(leia-se fiquem quietos>)
professor), muitas vezes desprendemos uma
energia sobre-humana, que vem geralmente
acompanhada de frustração e desespero. A
doença, é conseqüência direta dessa situação.
Pare de dar respostas!
Aprender é fruto de esforço. Esse esforço
precisa ser a busca de uma solução, de
uma resposta que nos satisfaça e nos
re-equilibre. Na medida em que nos preocupamos
mais em dar respostas do que fazer perguntas,
estaremos evitando que o aluno faça o
necessário esforço para aprender. Eis o
passaporte para a acomodação cognitiva. Dar a
resposta é contar o final do filme. Poupa o
sofrimento de vivenciar a angustia de imaginar
diferentes e possíveis situações de exercitar o
modelo de ensaio-e-erro, enfim, poupa o
aluno do exercício da aprendizagem
significativa.
Num contexto de “mundo pronto” a resposta fazia
sentido. Num contexto de “mundo
em construção”, a resposta impede a
aprendizagem. Além de que, a perspectiva do vir-a-ser
exige busca constante. Se num mundo dinâmico
paramos de buscar, saímos da sintonia
desse mundo e nos desconectamos do processo
global de desenvolvimento.
Diante dessa realidade, o desejo, a vontade, a
curiosidade e a disponibilidade interna
para aprender ganham especial importância.
Segundo Freinet, está fadado ao fracasso, todo
método que tentar fazer beber água o cavalo que
não tem sede. Essa máxima nos remete à
profunda reflexão sobre a importância do papel
do sujeito que aprende. Mais ainda. Remetenos
à reflexão sobre o papel do professor como
“provocador da sede”.
Na escola, informações são passadas sem que os
alunos tenham necessidade delas,
logo, nossa função principal como professores é
de gerar questionamentos, dúvidas, criar
necessidade e não apresentar respostas.
Procure novas formas de desafiar os alunos!
O nosso principal papel como professores, na
promoção de uma aprendizagem
significativa é desafiar os conceitos já
aprendidos, para que eles se reconstruam mais
ampliados e consistentes, tornando-se assim
mais inclusivos com relação a novos
conceitos. Quanto mais elaborado e enriquecido
é um conceito, maior possibilidade ele tem
de servir de parâmetro para a construção de
novos conceitos. Isso significa dizer que quanto
mais sabemos, mais temos condições de aprender.
Quando problematizamos, abrimos as possibilidades de aprendizagem, uma vez que
os conteúdos não são tidos como fins em si
mesmos mas como meios essenciais na busca
de respostas. Os problemas têm a função de
gerar conflitos cognitivos nos alunos
(desequilíbrios), que provoquem a necessidade
de empreender uma busca pessoal.
Esse desafio a que nos referimos não precisa
ser algo de extraordinário, o essencial
é cumprir o papel de “causar sede”.
Eleve a auto-estima do aluno!
Partir daquilo que o aluno já sabe, reforçá-lo
e valorizá-lo é fazê-lo sentir-se parte do
processo de aprender e, paralelamente, é elevar
sua auto-estima. Outras atitudes
igualmente elevadoras da auto-estima do aluno
sâo:
_ Propor desafios ao seu alcance.
_ Monitorar a distância entre a linguagem
utilizada na aula e a linguagem
natural do aluno.
_ Oferecer as ajudas necessárias diante das
dificuldades.
_ Garantir um ambiente compartilhado de ensino em
que o aluno sinta-se parte
ativa.
_ Implementar o hábito de reconhecimento de
pequenos sucessos progressivos.
_ Garantir que o aluno possa mostrar-se
progressivamente autônomo no
estabelecimento de objetivos, no planejamento
das ações que o conduzirá a
eles.
Esse conjunto de atitudes compõe o que chamamos
relação de respeito e confiança
mútuos. E é a partir desse contexto acolhedor
que se dá a aprendizagem significativa.
Promova a interação entre os alunos!
A troca de percepções entre os alunos estimula
a ampliação de idéias e a testagem
de hipóteses pessoais. O indivíduo não nasce
pronto nem é cópia do ambiente externo. Em
sua evolução intelectual há uma interação
constante e ininterrupta entre processos internos
e influências do mundo social. A partir dessa
afirmação, Vigotsky justifica a necessidade de
interação social no processo de aprendizagem.
Atento à "natureza social" do ser humano,
que desde o berço vive rodeado por seus pares
em um ambiente impregnado pela cultura,
Vigotsky (1999) defendeu que o próprio
desenvolvimento da inteligência é produto dessa
convivência. Para ele, "na ausência do
outro, o homem não se constrói homem". Enfim, é
através da aprendizagem nas relações com os
outros que construímos os conhecimentos
que permitem nosso desenvolvimento mental.
Essa interação deve se concretizar em sala de
aula através do estímulo para que os
alunos troquem idéias e opiniões. Essas trocas
devem ser breves e em pequenos grupos
(três alunos é o ideal) para se evitar a
dispersão e perda de foco. No momento em que um
aluno ouve a opinião do colega e reflete sobre
o que ele diz, ele tem a oportunidade de
ratificar ou retificar sua opinião, através de
uma síntese dialética, necessária a todo
conhecimento consistente.
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